E o povo continua pastando…

Lendo II Crônicas 36.5-21, fiquei meditando no quanto Israel padeceu por conta de seus maus governantes, por causa das más escolhas que seus reis fizeram. Pensei: atualmente não é diferente!! Lendo sobre os reinados de Jeoaquim, de Joaquim e de Zedequias, vi o quanto eles fizeram “o que era mau perante o Senhor” e comparei o momento ruim que temos vivido em nosso país, especialmente em nosso estado (o Rio de Janeiro).

Lembro da campanha de nossa presidenta, dela dizendo que era um absurdo privatizar empresas federais. E o que vemos agora? Nosso pré-sal está sendo leiloado e um consórcio será responsável por nossa riqueza. Tô achando que privatização mudou de nome…

E os royalties do petróleo, aqui do Rio? Era um tal de “veta Dilma” pra lá, “veta Dilma” pra cá e, quando todos estavam certos de que a presidenta ficaria a nosso favor, ela nos deixou perder parte dos royalties.

O Maracanã, reformado para a Copa do Mundo com o dinheiro dos nossos impostos, também foi privatizado. Ou melhor, um consórcio o administra, agora. Quando vamos ao estádio, nem podemos mais gritar “o Maraca é nosso, ah-ha, uh-hu!” por que não é! É do Eike Batista e de seus amiguinhos. Isso sem contar os outros estádios e os vários aeroportos que estão sendo reformados para a Copa país a fora.

Quando entrei em greve, há quase 80 dias, eu entrei para lutar por uma Educação melhor, de qualidade, decente ao menos. Mas, como o povo de Israel, estou padecendo por conta de meus governantes. No caso, em especial, por causa do governador do estado do RJ e de seus “paus mandados”.

No primeiro post que fiz sobre a greve expliquei as razões de ter aderido ao movimento. Falei sobre Wilson Risolia (Economista que está como Secretário de Educação do RJ); das salas de aula cheias, apertadas e abafadas; do aluguel dos aparelhos de ar condicionado… Na ocasião, escrevi “(…) é por essas e outras razões que estou em greve. Por melhores salários, melhores condições de trabalho, pelo fim da meritocracia, pelo fim da certificação. Gostaria, muito, que nossa paralisação surtisse efeito rápido, para que nossos alunos não fossem mais prejudicados do que já são por esse sistema miserável. Mas nem negociar essa corja quer! Estou em greve há um mês e só saio dela quando recebermos ganhos reais. Cansei de esmola, Senhor Governador!! Cansei de papo furado, Senhor Secretário!! Quero ação!! (…)”. E permaneci paralisada até ontem, 24 de outubro, quando houve assembleia da Rede Estadual, e a greve foi suspensa.

Se quer negociar com os professores o Estado aceitava. Quando, de repente, um Ministro do Superior Tribunal Federal, Luis Fux, convocou os representantes do SEPE (nosso Sindicato) e os representantes do Governo (no caso, o Sérgio Cabral, mas quem compareceu foi o Risolia) para uma audiência de conciliação. No meu entender, o SEPE deveria levar nossas reivindicações ao STF e lutar para conquistar algo pela categoria no dia 22 de outubro. Pensei que fosse ganhar de aniversário alguma das coisas pelas quais lutei, mas o SEPE não me representou e me presenteou com a amargura da decepção no dia em que completei mais uma primavera.

Tudo o que recebemos foi a garantia de que nosso ponto não seria cortado (o que, aliás, já era nosso direito!!). O sindicato foi à Brasília passear e tirar as multas dele e, em troca, nos “vendeu” prometendo a reposição das aulas. Eles têm licença sindical e não terão que fazer reposição em janeiro então, para eles, tanto faz! Aí, me vem a coordenadora geral do SEPE dizer em rede nacional que isso é vitória!… Tá de brincadeira, né?! Só se for vitória para eles, do sindicato, que não teriam mais que pagar multa pelos dias de greve.

A greve da Rede Estadual foi suspensa. Não recebemos NADA! Fiquei em greve por mais de 2 meses à toa! Estou voltando para a sala de aula mais vazia do que saí!

Estou decepcionada! Me sentindo desamparada. Sindicato vendido!

Como olharei nos olhos dos meus alunos? Com que moral voltarei às salas de aula? Direi a eles que lutei em vão? Que eles ficaram sem aulas por mais de 2 meses para eu voltar ao colégio dizendo que nada conquistei? Que nossos representantes querem mais é nos ver pelas costas? Que só pensam do deles e o povo “que se lasque”?

Direi a eles que tirei umas férias extras de 2 meses, como disseram uns pelegos por aí? Como explicarei para eles que confiei num Sindicatozinho que se vendeu? Bando de Judas!! Devem ter nos vendido por qualquer miséria, ainda!

Como diz na Palavra, “maldito o homem que confia no homem” (Jeremias 17.5a) e “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” (Jeremias 17.9). Nos deixamos levar pela emoção e depositamos nossa total confiança no SEPE e eles nos traíram! Estamos padecendo por confiar, de maneira cega, nessa gente.

O povo de Israel sofria as consequências de seus reis insensatos, mas estes reis eram impostos a eles. Sabemos que o trono é uma herança, logo, o povo não tinha autonomia para decidir quem governaria sobre eles. Mas nós, brasileiros, temos o que chamamos de DEMOCRACIA, do poder do povo e para o povo. Podemos escolher e eleger quem nos representa para governar sobre nós. Então, se estamos padecendo, diferentemente do povo de Israel, É POR NOSSA CULPA, que escolhemos mal nossos políticos! Acorda, povo!!

Posso até mudar de ideia depois, mas atualmente penso: GREVE NUNCA MAIS!

 

Vanessa Vasconcellos Imenes de Oliveira Nogueira
(Professora do CE Almirante Álvaro Alberto – Paraty/RJ)

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