QUATRO OUTRA VEZ – Capítulos VII e VIII

Semana passada adiantamos um pouco a história e hoje vamos para o sétimo e oitavo capítulos. Quem será que vai a esse Casamento, hein? Haverá o reencontro das meninas?

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Capítulo VII – As viagens

Os meses foram passando, até que chegou julho. Dia 15 as malas de Bia e Rodrigo já estavam prontas. Lolô já havia comprado a passagem para Friburgo, e Carol pôs o carro para fazer revisão na oficina mecânica para pegar a estrada da Serra.

— Vamos, Bia!

— Calma, Rodrigo!

— Já está tudo no carro, o que você está procurando?

— Meu anel.

— Que anel? Aquele com pedras azuis que você não desgruda dele?

— Ele mesmo. Você o viu por aí?

— Não… vou procurar na sala.

Depois de algum tempo…

— Achou?

— Não, Bia… Você não tem noção de onde possa ter deixado?

— Não. Ai, meu Deus… onde eu o deixei? ‘Tá ficando tarde e a gente ainda está em casa…

— Calma, amor. Não chora. Senta aqui. Isso,,, pronto. Agora vamos refazer os seus passos: me conte tudo o que fez desde que acordou.

— Levantei, fui ao banheiro, tomei banho.

— Ok. Já olhei no banheiro e não está lá.

— Fui na cozinha, preparei e tomamos café.

— Já olhou na cozinha?

— Já. Até na lixeira, mas não ‘tá lá. Depois vim para o quarto me vestir. Passei uns cremes, e…

— E…?

— Já sei onde está!!

— Sério? Onde?

— Aqui: no bolso da minha blusa.

— Bia!

— É que eu o tirei para passar creme nas mãos e o guardei no bolso para não perder…8f0e35e40584095c35cfe469be31a749Lorena pegou suas malas e partiu rumo à Rodoviária. Entrou no ônibus e entregou a passagem ao fiscal, que informou:

— A senhora não vai nesse ônibus.

— Como não? – questionou Lorena

— É. Esse ônibus vai para Teresópolis, o que vai para Friburgo vai sair… não! Olhe! É aquele que já está saindo!!

Lorena desce do ônibus desesperada, gritando:— Parem esse ônibus! Tenho um Casamento para ir em Nova Friburgo!! Para tudo!!

E o fiscal a ajuda a parar o ônibus, ela pega suas malas e embarca no veículo certo.

8f0e35e40584095c35cfe469be31a749Carol pegou seu carro na oficina, buscou suas malas em casa e subiu a Serra rumo a Friburgo. Mas, como nem tudo é perfeito, às 11h da manhã de 18 de julho, Carolina fica “plantada” no acostamento, pois o pneu de seu carro furou e ela não consegue trocá-lo.

Porém, para a sua sorte, um rapaz alto, moreno de sol e com belos olhos verdes (daqueles que sobressaem à pele bronzeada), parou atrás de seu carro e indagou com o melhor do sotaque carioca:

— A moça tá perdida?

Carol, extasiada com toda a beleza à sua frente, só conseguiu responder que não com um aceno de cabeça e apontou para o pneu furado.

— Quer ajuda?

Carol, ainda boquiaberta, se quer ouviu a pergunta do rapaz, que insistiu:

— Quer ajuda?

— Hã?! Ah! Quero, sim, por favor. Obrigada. É que eu não sei trocar pneu.

O rapaz começou a trabalhar sob o sol de quase meio dia. Começou a esquentar e ele foi até o carro, apanhou em sua bagagem uma regata e trocou-a, pois a camisa de manga havia sido encharcada de suor.

— Você está viajando para onde? – Carolina quis puxar assunto

— Friburgo, – respondeu o moço terminando de se vestir.

— Que coincidência!! Eu também.

— Pois é, eu ‘tô indo para o Casamento de uma amigo meu.

— ‘Tá brincando?!

— Não, porque?

— E também ‘tô indo para um Casamento lá. Como se chama seu amigo?

— Gabriel.

— E o nome da noiva dele é Julia?

— É. Como você sabe?

— Eu também estou indo para lá. A Julia é minha amigona. Serei uma das madrinhas dela.

— Como é que são as coisas, né?! Que coincidência… bom, ‘tô aqui trocando o pneu do seu carro, indo para o mesmo lugar que você, no Casamento do mesmo casal e ainda não sei seu nome.

— Ah! Me desculpe!… Sou Carolina.

— Marcelo, muito prazer.

E eles continuaram a conversar enquanto Marcelo terminava de trocar o pneu do carro. Carol abaixou ao seu lado,  para ver mais de perto aquele “deus grego” trabalhando, mas sua observação durou pouco, pois Marcelo acabara de trocar o bendito pneu. Ao levantarem, ficaram frente a frente, como prontos para um beijo e, quando Carol quase se rendeu aos apelos daqueles olhos verdes, passou um caminhão buzinando para eles. O que os assustou e os fez cair no riso quebrando o clima antes formado, e foi cada um para o seu carro com destino a Nova Friburgo.

8f0e35e40584095c35cfe469be31a749A viagem de Bia e Rodrigo foi a mais demorada. É que a cada posto de combustível que passavam, Bia fazia Rodrigo parar, pois queria ir ao banheiro ou “tomar ar”, porque não estava se sentindo bem.

— Naquele ali, Rodrigo.

— De novo?

— ‘Tô passando mal.

— Espera mais um pouquinho… paro no outro.

— Não dá! Ou vai ser aqui no carro ou no posto.

E corria Beatriz para o banheiro…

— Ah, já estou melhorando – dizia Bia ao entrar novamente no carro.

— Comprei café. Quer?

— Café? Não, de jeito nenhum. Só o cheiro já tá me enjoando.

— ‘Tá passando mal mesmo. Pra rejeitar café…

— Espero que seja nossa última parada, senão só vamos chegar na manhã do dia 21!

— Se seu mal estar permitir, chegaremos logo. Faltam poucos quilômetros.

8f0e35e40584095c35cfe469be31a749Lorena, em seu ônibus, começa a lembra-se de seu passado com as meninas: quando tocavam na fanfarra da escola, quando brincavam de bonecas, o 1º beijo de cada uma, quando dormiram na casa da Carol para assistirem de madrugada a um jogo de Copa do Mundo de futebol, lembrou de sua paixão adolescente pelo Fabrício, até que se surpreende quando percebe que está se perguntando se hoje em dia essa paixãozinha daria certo. Mas suas recordações são interrompidas por uma freada brusca do ônibus e o gritos de algumas crianças assustadas.

— Droga! Não acredito! Não acredito! – repetia indignado o motorista

— O que houve?

— Soltou alguma coisa, acho que no motor.

O motorista desceu, analisou a situação do veiculo, voltou e anunciou:

— É pior do que imaginava. Já liguei para a empresa e mandarão outro carro para levá-los.

— Não acredito… – lamenta Lorena

E os passageiros descem, apanham suas bagagens. Alguns voltam para seus lugares; outros, como Lorena, sentam no acostamento por cima das malas.

— Eu sabia! Devia ter alugado com carro, sabia! Mas não, preferi vir de busão, é mais barato… agora só vou chegar amanhã! Ai, tédio!…

8f0e35e40584095c35cfe469be31a749— Cadê as meninas? Já são 13h e nada!

— Calma, Ju… elas moram longe, estão vindo cheias de bolsas….

— Ah, Gabriel, tô ficando preocupada.

— Deixa disso. Daqui a pouco elas chegam. Vamos almoçar. Minha mãe chamou a gente já faz meia hora.

8f0e35e40584095c35cfe469be31a749— Quero ir embora… – lamentava baixinho para si mesma – Ai, que calor!

— Está muito abafado mesmo – concordou uma senhorinha ao lado de Lorena

— Não sei onde é pior: se é dentro do ônibus ou aqui fora.

— Ah, no ônibus, minha filha. Eu ‘tava lá e saí porque não me aguentei.

— Quanto tempo a gente deve ficar aqui?

— Nãos sei… mas peguei o celular daquela moça ali e liguei pro meu filho vir me buscar.

— É?

— Mas não vou te oferecer carona, pois ele vem me buscar para me levar de volta para Niterói. A não ser que você queira ir para lá…

— Ah, não. Niterói, não. Obrigada.

— Aêêê! ‘Tão a pé!… – gritavam uns caras que passavam de carro.

— Engraçadinhos! Carona, que é bom, nada!

— Calma, minha filha… daqui a pouco aparece o outro ônibus.

— ‘Tá olhando o que?! – Lorena disse em tom de desafio a um motorista que passou um pouco mais devagar

— Minha filha, ele ‘tá voltando…

— Ai, meu Deus! – tremia

O rapa parou o carro, desceu e encarou Lorena, que o olhava apavorada e pronta para se desculpar, até que o rapaz a surpreendeu:

— Lorena! – disse abrindo os braços

— Quem é você?

— Não se lembra de mim, Lolô?

— Ai, meu Deus! Quem é esse cara?!

— Lolô! Sou eu, Fabrício!

— Fabrício?!

— Sim, sou eu mesmo! Irmão da Ju!

— Caramba! Não acredito!… – diz retribuindo ao abraço

— Nossa, Lolô, com todo o respeito: você está ótima!

— Obrigada, Fabrício, você também. Como está mudado, nem te reconheci!

— O que faz aqui? Não vai ao Casamento da minha irmã, não?

— Eu ‘tava indo, mas o busão quebrou e fiquei a pé.

— Vamos, te dou carona.

— Claro. Mas podemos levar essa senhora que estava ao meu lado?

— Hum… acho que não.

— Hã?

— Mas é claro! Vambora!

— Vamos? – perguntou Lorena à senhora

— Ah, não, minha filha… meu menino já vem me buscar, senão aceitava sim. Obrigada.

— Então tá! Eu já vou. Fique com Deus!

— Vai com Ele você também! Ah! E aproveita a carona do moço. Como vocês dizem, ele é um gatinho!…

Lorena sentiu as bochechas queimarem enquanto entrava no carro de Fabrício.

8f0e35e40584095c35cfe469be31a749Beatriz e Rodrigo estão conseguindo, com muito custo, chegar a Nova Friburgo. Mas, antes da tão aguardada chegada, eles fazem mais uma parada.

— Bia, acho melhor a gente procurar um posto médico quando chegar na cidade.

— Que nada, Rodrigo!

— Você está enjoando muito.

— Ih! Sou assim desde pequenininha. É entrar no carro e enjoar.

— Sim, eu sei. Mas das outras vezes que viajamos não foi assim.

— É, realmente…

— Então? Não é melhor procurarmos um médico?

— Quem sabe depois, quando voltarmos pra casa? Vamos?

— Vamos.

E seguiram viagem.

8f0e35e40584095c35cfe469be31a749— Nunca imaginei que um dia seria escoltava por um filé desses… – pensava Carolina em seu carro – Ah! Se eu pego… faço um estrago! Não sobraria nada para contar a história…

8f0e35e40584095c35cfe469be31a749— Gabriel… cadê todo mundo?

— Calma, Ju.

— Não é possível que seja engarrafamento.

E Julia é interrompida por um som de buzina.

— É o carro do Fabrício! Gabriel, meu irmão chegou!!

— Não falei pra você que estavam chegando? Vamos até lá recebê-lo! Ei! Olhe!

— Quem tá com ele?

— É uma moça. Namorada nova, talvez?

— Não acredito! É a Lorena!! – reconhece Julia ao chegar mais perto

— Oi, mana!…

— Oi, Fabricio! Oi, Lorena!

— Quanto tempo, Ju!

— ‘Tá chegando mais alguém – anuncia Gabriel

— Não acredito! É a Bia! – surpreende-se Julia

— Oi, meninas! Quanto tempo!… – diz Bia ao descer do carro e abraçando as amigas

— Que legal que vocês chegaram. Eu estava preocupada, impaciente… só falta a Carol, agora.

— Faltava – aponta Lorena.

— Ah! Não acredito!! Que saudades! – gritava Carol ao descer do carro.

reencontroCapítulo VIII – Primeiras considerações

— Vamos, gente. Entrem. – recepcionava Gabriel

— E então, como foi a viagem de vocês? – indagava Julia

— A minha foi lenta, fazendo pit stop em todos os postos de combustível. – contou Beatriz

— Eu peguei um ônibus para Teresópolis, desci, peguei o busão certo, mas ele quebrou, fiquei na estrada, mas o Fabrício me viu, me reconheceu e ofereceu carona. – dizia Lorena recuperando o fôlego

— Sortuda, como eu. O pneu do meu carro furou, mas o Marcelo, amigo do Gabriel, parou e me ajudou – gabava-se Carolina

— Nossa! A viagem de vocês dá um livro! – ria Julia – Bom, agora tenho uma coisa meio chata para contar.

— O que? – assustou-se Bia

— O Casamento foi adiado? – perguntou Carol

— Foi ontem? – brinca Lorena

— Não, não… é outra coisa; – tranquilizava Julia – É que depois que mandei as cartas para vocês, umas primas do Gabriel ligaram para a D. Ana se oferecendo para virem 2 dias antes e sabem como é, né? Prima é prima… e minha sogra ficou sem graça de empatar a vinda delas.

— Então elas veem amanhã? – perguntou Lorena – O que tem isso de chato?

— Bom, o chato é que não temos quartos suficientes, um pra cada um. Então a gente ‘tava conversando e achou melhor um quarto para as as moças e outro para os rapazes; e a Bia, como é casada, ficaria no quarto do Gabriel e ele passava pro quarto dos meninos.

— Gostei! Taí! Que nem nos acampamentos mistos – vibrava Carolina

— Que nem quando éramos adolescentes. Vou levantar poeira! – comemorava Lorena

— Ju, não se preocupe  comigo e Rodrigo. A gente entra na bagunça dos solteiros. Até porque, ocupar o quarto do noivo não é muito seguro…

— Porque, Bia?

— Sei lá… vai que aparece uma “surpresinha” de despedida de solteiro e eu lá… melhor não.

E todas caem na gargalhada.

8f0e35e40584095c35cfe469be31a749— E então, rapazes? O que acharam da ideia do quartos? – quis saber Gabriel

— Na moral. – concordava Fabrício

— Com certeza a Bia vai querer ficar com as garotas, aí eu iria ficar na pista. – diz Rodrigo

— Vai ser legal. Já penou observá-las trocando de roupa pelo buraquinho da fechadura? – planejava Marcelo

— E aquelas conversinhas de mulher? A gente vai ouvir tudo. – comemorava Fabrício

— Então vamos. O quarto é lá em cima.

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Agora essa história vai andar! Até semana que vem!!

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Perdeu as primeiras postagens? Não tem problema! Acompanhe:
Capítulos 1 e 2 e Capítulos 4, 5 e 6

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